Mitos e Realidades Sobre Segurança Alimentar



Existem ideias sobre a fome e a nutrição no mundo, que são propagadas e se tornam verdadeiros mitos. É preciso desconstruir esses mitos com os fatos e dados que nos permitem tem uma perspectiva mais realista e abrangente, para agirmos de forma mais coerente. 

A segurança alimentar existe quando "todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso físico e económico a alimentos suficientes, seguros e nutritivos para alimentar as suas necessidades dietéticas e alimentadas para uma vida activa e saudável". Setsan (2013)


MITO 1 

Não há comida suficiente para alimentar a população mundial.

REALIDADE:

Segundo a FAO, os alimentos produzidos mundialmente dariam para alimentar entre 12 e 14 milhões de pessoas. Portanto , existe comida suficiente no mundo de hoje para que todos possam ter uma nutrição adequada para uma vida saudável e produtiva. Entretanto, é preciso que a produção e a distribuição de alimentos sejam mais eficientes, sustentáveis ​​e justas. Isso significa apoiar pequenos agricultores - que são a maioria nos países em desenvolvimento - e garantir que eles tenham acesso adequado aos mercados para que possam vender seus produtos. É preciso também combater o desperdício alimentar, que representa perdas enormes quer em termos económicos, quer ambientais e sociais.


MITO 2 

A fome e a subnutrição podem ser resolvidas com um aumento da produção de alimentos.

A REALIDADE

O aumento da produção de alimentos, que tem sido evidente ao longo das últimas décadas, não foi suficiente para erradicar a fome e resolver os problemas de insegurança alimentar. A abordagem no crescimento da produção gerou outros problemas, como a grande dimensão das perdas e desperdício alimentar, o aumento da pegada ambiental dos sistemas agrícolas e alimentares, ou a degradação de recursos naturais como os solos ou a água. Para além disso, o uso alargado de fertilizantes, pesticidas e produtos químicos ameaçam cada vez mais alguns tipos de colheitas dependentes da polinização, a biodiversidade e os ecossistemas, bem como a saúde humana. Assim, a abordagem terá de ser mais na transformação dos sistemas agrícolas e alimentares do que propriamente num aumento da produção.

Por outro lado, as pessoas podem passar fome mesmo quando existe muita comida, já que o problema é frequentemente uma questão de acesso: falta de condições financeiras para comprar comida, impossibilidade de deslocação até os mercados locais, etc. 

Por fim, não é apenas a quantidade mas também a qualidade dos alimentos que está em causa. Uma boa nutrição significa ter uma combinação certa de nutrientes e calorias necessárias para um desenvolvimento saudável. 


MITO 3

 O crescimento econômico gera segurança alimentar.

A REALIDADE 

O crescimento econômico não resolve, por si só, problemas de subnutrição crônica ou de insegurança alimentar. Na verdade, um crescimento econômico que não seja inclusivo, que não abranja uma redução das desigualdades e que não inclua preocupações com os setores mais independentes da sociedade pode mesmo agravar problemas de insegurança alimentar e desnutrição. 

Já a (in)segurança alimentar influencia de forma considerável o crescimento económico. Os países com altos níveis de pobreza e desnutrição crônica enfrentam grandes restrições ao desenvolvimento humano, que é necessário para ter um crescimento sustentável. Altas taxas de subnutrição e desnutrição podem representar uma perda de 4% a 5% no Produto Interno Bruto, segundo a FAO. Ao envolver ações em setores tão variados como as finanças, a agricultura, a saúde e nutrição, as infraestruturas e outros, a promoção da segurança alimentar tem benefícios não apenas para a saúde, mas é uma boa base para a promoção do crescimento econômico sustentado. 


Fonte: FERREIRA, Patrícia Magalhães. (2018). Segurança Alimentar e Nutricional e Desenvolvimento. FEC- Lisboa 

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